Henrique Gouveia e Melo prosseguiu esta quarta-feira a campanha no distrito do Porto com uma visita ao Porto de Leixões, ao Mercado de Matosinhos, à Faculdade de Medicina do Hospital de São João, passando ainda por Vila do Conde e pela Póvoa de Varzim, num dia marcado por mensagens fortes sobre a necessidade de reformar o Estado, garantir estabilidade política e exigir resultados à governação.
No Porto de Leixões, o candidato presidencial destacou a importância estratégica das infraestruturas portuárias como interface fundamental entre a economia marítima e o território nacional. Sublinhou que Portugal conseguiu resolver um problema complexo de logística e transporte de mercadorias, ganhando eficiência e competitividade, defendendo que este exemplo deveria inspirar a administração pública.
Para Gouveia e Melo, é impossível conceber planos eficazes sem envolver os atores no terreno, apontando que a falta de articulação continua a ser uma fragilidade do Estado. “Temos de nos organizar melhor e aumentar as nossas capacidades”, afirmou, defendendo um transporte mais barato, eficiente e assente numa lógica industrial que sirva de modelo ao setor público.
Ainda em Leixões, deixou uma crítica clara à politização da administração pública, defendendo que abaixo da componente política devem existir administrações profissionais. “Queremos um Estado profissionalizado, capaz de dar respostas, ou um Estado que serve para albergar clientelas partidárias?”, questionou, acrescentando que o poder político não pode substituir responsáveis sempre que surge um problema como forma de se desresponsabilizar. “O Estado tem de mudar muito e a política portuguesa também”, reforçou.
Já no Mercado de Matosinhos, Gouveia e Melo reiterou que está preparado para garantir estabilidade ao país, incluindo na área da segurança, num contexto internacional cada vez mais instável. Defendeu que o Presidente da República não pode ser uma figura decorativa nem alguém que viva afastado da realidade no Palácio de Belém. “O Presidente tem o dever de exigir que a governação seja feita com sentido de Estado, responsabilidade e sem demagogia, para resolver problemas que se arrastam há demasiado tempo”, afirmou, garantindo que, se for eleito, exercerá uma pressão permanente sobre o Governo para que entregue resultados. “O meu perfil é de um combate permanente para bem do país”, sublinhou, rejeitando a ideia de que essa exigência seja um ataque político.
Na visita à Faculdade de Medicina do Hospital de São João, acompanhado pelo ex-Ministro da Saúde Manuel Pizarro, o candidato prometeu contribuir para a estabilidade política, mas recusou passar cheques em branco aos governos, nomeadamente na área da saúde. Concordou com a decisão do Presidente da República de devolver diplomas relacionados com o setor, defendendo que a negociação deve ser transparente e envolver todos os atores.
Gouveia e Melo afastou cenários de demissão governativa por questões de gestão corrente, sublinhando que a responsabilidade última cabe aos primeiros-ministros e que a Presidência deve privilegiar soluções institucionais e estabilidade. Ainda assim, frisou que a magistratura de influência deve ser usada de forma persistente para exigir rigor, transparência e responsabilização.
O dia incluiu também uma visita a uma empresa agrícola de produção de leite em Vila do Conde, onde valorizou quem produz e trabalha longe dos grandes centros, reforçando a importância de conhecer o país real.
À noite, num jantar com centenas de apoiantes na Póvoa de Varzim, várias intervenções destacaram o perfil independente e suprapartidário do candidato.
André Machado, do movimento jovem “Portugal tem Futuro”, afirmou que Gouveia e Melo representa uma liderança capaz de unir o país num contexto geopolítico exigente, defendendo que o Presidente deve ser um árbitro e não um jogador partidário.
Miguel Silva, professor universitário e mandatário de Vila do Conde, sublinhou a ligação do almirante ao mar, às pescas e ao mundo rural, destacando a sua presença no terreno e a valorização de quem trabalha em silêncio. Macedo Vieira, antigo presidente da Câmara e Mandatário da Póvoa de Varzim, enalteceu o rigor, a capacidade estratégica e a humanidade do candidato, considerando-o “o homem certo no tempo certo”.
O antigo ministro socialista Manuel Pizarro considerou hoje que Gouveia e Melo pensa e decide sempre em consciência, enquanto outros candidatos presidenciais esperam que o seu ministro ou o seu secretário-geral lhe indiquem a posição a tomar.
“Perante uma operação absolutamente intolerável feita na Venezuela pelos Estados Unidos, o senhor almirante não precisou de esperar que nenhum ministro lhe telefonasse para dizer o que devia dizer, nem precisou de esperar pela opinião do secretário-geral do seu partido”, declarou o ministro das Saúde do terceiro executivo liderado por António Costa, numa alusão crítica a Marques Mendes e a António José Seguro.
Manuel Pizarro defendeu ainda que Gouveia e Melo é um fator de unidade nacional após um percurso profissional “patriótico” e deu como exemplo o facto de neste jantar estar sentado ao lado do ex-presidente do PSD Rui Rio.
Na sua intervenção, Henrique Gouveia e Melo afirmou que a verdadeira comissão de honra da sua candidatura são os portugueses, reforçando que o seu objetivo é acrescentar valor ao sistema político e unir o país num momento de grande instabilidade internacional.
Garantiu não se candidatar por vaidade, mas por sentido de missão, recordando a sua experiência em contextos exigentes, desde a NATO à resposta à pandemia. Defendeu que Portugal precisa de um novo contrato social, de um Estado que funcione, de uma economia do século XXI assente em empregos qualificados e de coesão social e territorial. “Este país tem tudo para progredir, não temos de ter medo. Temos é de mudar com seriedade, liderança e ambição”, concluiu.