O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo esteve em Espinho, Espiunca e Coimbra, numa jornada marcada por contactos com a população, reflexões sobre governação, gestão do Estado e alertas para os desafios económicos, ambientais e políticos que o país enfrenta.
Durante uma visita à Feira de Espinho, Gouveia e Melo defendeu que a transparência política exige coragem para explicar aos cidadãos realidades difíceis, criticando a tendência para “dourar a pílula” em nome de uma comunicação mais fácil. Para o candidato, esse tipo de atitude contribui para a infantilização da população, que, sublinhou, não precisa de ser protegida da verdade.
Nas declarações aos jornalistas, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada alertou para um período internacional particularmente exigente, com impactos diretos na economia nacional, defendendo a necessidade de planeamento rigoroso, pragmatismo e controlo efetivo da execução das políticas públicas. No setor da saúde, apontou uma sensação generalizada de desorganização, defendendo que a gestão pública deve assentar num ciclo claro de planeamento, execução e controlo, evocando o exemplo do processo de vacinação contra a covid-19 como demonstração de que resultados são possíveis quando existe direção clara.
Gouveia e Melo aproveitou ainda para clarificar a sua visão sobre as relações institucionais entre o Presidente da República e o primeiro-ministro, afirmando que exige lealdade institucional e vontade de trabalhar em equipa, mas também sublinhando que a Presidência da República tem o dever de ser exigente e de zelar pelo bom funcionamento das instituições democráticas. Nesse contexto, questionou se esse funcionamento se esgota no formalismo institucional ou se deve ser medido pela capacidade de resposta da democracia às necessidades da população.
O candidato reiterou que o Presidente da República não deve ter objetivos partidários a partir de Belém, devendo antes ajudar o Governo com exigência e, quando adequado, com aconselhamento. Assumiu ainda que a mensagem central da sua campanha é a de esperança, mas uma esperança construída com realismo e ação concreta, procurando diferenciar-se de outros candidatos que, no seu entender, não demonstraram capacidade de concretização quando confrontados com responsabilidades executivas.
A jornada prosseguiu em Espiunca, com uma descida do rio Paiva, onde Gouveia e Melo chamou a atenção para a importância do turismo de natureza e do interior do país, alertando simultaneamente para os efeitos devastadores dos incêndios florestais. O candidato lamentou a paisagem marcada pelas áreas ardidas e defendeu que o país continua a falhar por falta de planeamento, organização e capacidade de execução, apontando problemas recorrentes de comando, controlo e operacionalidade no combate aos fogos.
Já em Coimbra, durante um encontro com a população e uma conversa com estudantes da Universidade de Coimbra, gravada para um podcast num café histórico da cidade, Gouveia e Melo voltou a criticar o que classificou como um “sistema político antigo”, que, segundo disse, se refugia na retórica por falta de capacidade de renovação. Considerou que o Governo foi a eleições sem apresentar propostas de reformas estruturais e sustentou que algumas ideias agora debatidas na campanha presidencial surgem depois de terem sido por si defendidas. Perante os jovens, afirmou que sempre teve pensamento político, embora não o tenha expressado publicamente enquanto esteve no ativo, defendendo que o seu posicionamento atravessa um amplo espetro político.
O dia terminou com um jantar de apoiantes, onde intervieram várias personalidades. Vitória Patrocínio, do Movimento Jovem, sublinhou a necessidade de coragem, determinação e integridade, defendendo que Portugal precisa de um Presidente vigilante e exigente. Olga Silvestre, coordenadora de Leiria, destacou o papel de Gouveia e Melo em momentos difíceis, realçando a confiança e tranquilidade transmitidas ao país durante a pandemia. Carlos Bonifácio, mandatário de Leiria, criticou carreiras políticas sustentadas apenas pela sobrevivência no sistema.
Ângelo Correia, ex-ministro da Administração Interna, considerou que Gouveia e Melo é uma figura capaz de defender o legado democrático do país, enquanto Francisco Rodrigues dos Santos, ex-presidente do CDS, afirmou que o candidato tem sido um garante da democracia portuguesa, lembrando o seu papel em momentos críticos da vida nacional.
No discurso de encerramento, Henrique Gouveia e Melo alertou para os riscos do imobilismo, do cinismo e da retórica política prolongada, considerando que esses fatores podem alimentar populismos capazes de fragilizar a democracia. Criticou práticas que, no seu entender, mascaram problemas estruturais do Estado e defendeu que o Presidente da República deve manter uma postura exigente perante o Governo.
Recordou ainda o esforço coletivo durante a pandemia, sublinhando que os resultados alcançados foram fruto de um trabalho conjunto da sociedade portuguesa, afirmando que o apoio dos cidadãos à sua candidatura representa o reconhecimento desse percurso de serviço público.