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“Estamos todos unidos porque somos todos portugueses. Não somos portugueses da cor rosa, não somos portugueses da cor laranja ou da cor azul. Somos só portugueses!”, avisa Gouveia e Melo

15 Jan, 2026

O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo esteve no distrito de Lisboa, numa jornada que incluiu uma visita ao Mercado de Alvalade, uma passagem pela Escola Secundária Professor Santana Castilho, em Miraflores, e um jantar-comício com mais de mil apoiantes, em Carnaxide, onde voltou a apelar ao voto em consciência e a demarcar-se das lógicas partidárias.

À margem da visita ao Mercado de Alvalade, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a desvalorizar as sondagens que o colocam fora de uma eventual segunda volta das eleições presidenciais, mas deixou um alerta aos eleitores. “Estou verdadeiramente angustiado com o que se passa, porque acho que podemos correr o risco de escolher um mau Presidente da República”, afirmou.
Gouveia e Melo apelou aos portugueses para não cederem ao voto útil associado a interesses partidários. “Quando falam em voto útil, por favor, não pensem em partidos”, pediu, acrescentando que o voto deve ser exercido em consciência. “Não desperdicem o voto em quem, na verdade, não quer ser Presidente”, frisou.
O candidato sustentou que a sua provável passagem à segunda volta não representaria a derrota de qualquer partido, mas sim “a vitória de uma mudança” e de uma tentativa de renovar o sistema político, mantendo uma posição moderada e equilibrada. Reiterou ainda a sua condição de independente e sublinhou estar fora das lógicas partidárias, defendendo que o país atravessa um momento internacional difícil que exige pessoas bem preparadas para exercer funções de Estado.

Ainda durante a manhã, Henrique Gouveia e Melo visitou a Escola Secundária Professor Santana Castilho, onde contactou com alunos e professores. O candidato jogou matraquilhos com o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, testou um veículo solar desenvolvido por alunos no âmbito de um projeto científico inter-escolas e ouviu explicações sobre um forno solar e um equipamento de estudo do comportamento sísmico. Aproveitou o momento para explicar conceitos como a frequência de ressonância e, numa breve intervenção na biblioteca, apelou aos jovens para serem autónomos e desenvolverem espírito crítico num mundo cada vez mais tecnológico, abordando também temas como a imigração.

A jornada terminou com um jantar-comício no pavilhão do Parque Desportivo Carlos Queiroz, em Carnaxide, o maior realizado até agora na campanha, que reuniu mais de mil pessoas. Antes da intervenção de encerramento, usaram da palavra vários apoiantes. Diogo Antunes, mandatário do Desporto, destacou o orgulho de servir Portugal e afirmou que Gouveia e Melo personifica os valores da resiliência e do amor ao país. Ana Rita Cavaco, ex-bastonária da Ordem dos Enfermeiros, recordou o período da pandemia, sublinhando a liderança firme e sem hesitações do almirante. Correia de Campos, ex-ministro da Saúde, apelou aos socialistas para votarem de forma consciente e independente.
O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, afirmou que Henrique Gouveia e Melo “foi a nossa luz na noite mais negra”, defendendo que a sua candidatura nasceu do povo e não dos partidos. O autarca acusou o sistema partidário de se estar a fechar sobre si próprio e considerou que o almirante é o único candidato verdadeiramente equidistante das estruturas partidárias, criticando o alinhamento crescente entre dirigentes políticos e candidatos presidenciais.

Na intervenção de encerramento, Henrique Gouveia e Melo sublinhou a natureza transversal da sua candidatura. “Somos todos portugueses. Não somos portugueses da cor rosa, da cor laranja ou da cor azul”, afirmou, salientando que entre os presentes havia eleitores de vários quadrantes políticos. Assumiu-se como social-democrata de inspiração nórdica, defensor de uma economia liberalizada apenas no necessário, mas com forte coesão social.

O candidato voltou a criticar a disparidade entre sondagens e a sua falta de adesão à realidade que se vive nesta campanha, considerando que estas estão a gerar uma dinâmica de “cinismo puro” em torno do voto útil. Apelou, por isso, a que no dia 18 os eleitores pensem na utilidade real do seu voto e não em estratégias partidárias, sublinhando que a eleição presidencial não é um concurso de imagem, mas uma escolha decisiva para o futuro do país.