O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo esteve esta sexta-feira no distrito do Porto, numa jornada que incluiu uma visita à Feira de Gondomar, encontros com a população na Afurada e no centro do Porto, uma reunião com a Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) e um comício-festa na Alfândega do Porto, onde voltou a afirmar-se como alternativa independente ao sistema partidário.
Na Feira de Gondomar, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada definiu-se como um “moderado” do centro político, defensor da Aliança Atlântica e da União Europeia, num país com uma economia de mercado competitiva, mas com um Estado social forte, capaz de proteger os cidadãos mais vulneráveis, garantir coesão territorial e assegurar uma saúde pública universal. Para Gouveia e Melo, o país precisa de um Presidente da República exigente com a governação.
“Nem uma marioneta, nem um opositor dos governos”, sustentou.
O candidato criticou os percursos políticos de Marques Mendes e António José Seguro, lembrando que ambos lideraram partidos, mas acabaram por ser afastados internamente. “Se não conseguiram controlar os seus partidos, como quer algum deles ser Presidente da República?”, questionou.
Já em relação a André Ventura, considerou que votar no líder do Chega é “um desperdício”, por entender que este “não quer ser Presidente da República”.
Em contraponto, assumiu-se como um democrata convicto e recordou que, enquanto militar, jurou defender a Constituição.
Gouveia e Melo voltou também a criticar as sondagens, afirmando estar “farto” destes instrumentos, que classificou como políticos e destinados a influenciar o comportamento eleitoral.
Nos seus discursos, sublinhou o seu percurso “exemplar” nas Forças Armadas, recordando missões como o apoio ao combate aos incêndios de Pedrógão Grande, em 2017, e a coordenação do plano de vacinação contra a covid-19.
Na Afurada, em contacto com a população, o candidato insistiu que, num sistema eleitoral a duas voltas, votar em André Ventura é “meter um único candidato na segunda volta”, defendendo que o líder do Chega ambiciona, na realidade, ser primeiro-ministro.
Gouveia e Melo procurou ainda associar Ventura ao atual sistema político, reiterando que a sua candidatura é a única verdadeiramente independente. Criticou os adversários que se diziam independentes, mas que agora recorrem ao apoio explícito das estruturas partidárias, considerando que esse comportamento representa “o sistema partidário no seu pior”.
Já no Porto, após uma reunião com a direção da ANJE, o candidato reagiu à utilização de um camuflado militar por André Ventura. “Isso deixa-me mesmo muito mal disposto”, afirmou, lembrando que o líder do Chega nunca cumpriu o serviço militar obrigatório. Gouveia e Melo alertou para o uso indevido de símbolos militares, considerando o gesto um desrespeito. “Os uniformes são para quem serviu a pátria em uniforme”, frisou.
Ainda aos jornalistas, defendeu que o desenvolvimento do país não se faz apenas com o Estado, mas também com a sociedade civil e as empresas, garantindo que, se for eleito Presidente da República, estará ao lado dos jovens empresários. Sublinhou, no entanto, a importância da coesão social, recorrendo a uma metáfora naval para explicar que o progresso não se faz excluindo pessoas, mas integrando-as no caminho coletivo.
No centro do Porto, Gouveia e Melo mostrou-se “muito contente” com a receção popular. Acompanhado pelo ex-presidente da Câmara do Porto e ex-líder do PSD, Rui Rio, percorreu várias artérias da cidade, visitou o Museu e a Igreja da Misericórdia, agradeceu o apoio a partir de uma varanda e destacou não dispor de qualquer máquina partidária de mobilização. Voltou a alertar para o papel das sondagens como instrumentos de perceção política, defendendo que, em campanha oficial, estas não deveriam existir. “Quem vota são os portugueses, não são as sondagens”, afirmou.
O dia terminou com um comício-festa na Alfândega do Porto, onde intervieram vários apoiantes e mandatários, entre os quais Carlos Ferreira, Francisco Carvalho, Catarina Campos Cunha, António Tavares, Manuel Pizarro e Rui Rio.
No seu discurso, Gouveia e Melo deixou um aviso à esquerda, afirmando que, numa eventual segunda volta entre André Ventura e António José Seguro, existe o risco de vitória da extrema-direita. “Cuidado com a inutilidade do vosso voto”, alertou.
Dirigindo-se também à direita democrática, defendeu que a única opção útil é votar num candidato independente e suprapartidário, cuja vitória não represente a derrota de qualquer partido, mas uma mudança para melhorar o sistema político. O candidato voltou ainda a criticar André Ventura pelo uso de símbolos militares e por ações que considerou desrespeitosas para com os bombeiros, afirmando que nesta campanha presidencial “não vale tudo”.