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“A minha vitória é a vitória da democracia”. Gouveia e Melo encerra campanha em Lisboa

16 Jan, 2026

O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo viveu hoje um dos momentos mais emotivos da campanha, durante uma visita ao Mercado de Benfica, em Lisboa, quando foi abordado por uma cidadã iraniana que chorou convulsivamente nos seus braços, manifestando o receio de execuções e repressões em massa no seu país de origem.

Visivelmente comovido, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada sublinhou que o episódio é revelador de um contexto internacional “profundamente conturbado”.

“Estamos num mundo muito confuso. Aquela senhora deixou-me emocionado. Disse-me que nem sequer consegue saber o que se passa no Irão, porque cortaram a internet. Há suspeitas de execuções em massa e prisões em massa”, afirmou, em declarações aos jornalistas.

Para Gouveia e Melo, este cenário reforça a necessidade de Portugal ter um Presidente da República com capacidade de decisão e de acrescentar valor ao Estado, sobretudo nas cadeias de decisão em tempos difíceis.

Ainda durante o último dia de campanha, o candidato visitou a AFID – Associação Nacional de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente, na Amadora, onde quis sinalizar a importância de responder às necessidades da população idosa e das pessoas mais vulneráveis.

Gouveia e Melo defendeu que a sociedade não pode adotar uma lógica “puramente utilitária”, alertando para o risco de se abandonarem aqueles que, com a idade ou a fragilidade, deixam de ser vistos como produtivos. “As pessoas devem viver até ao fim da vida com dignidade.

Não podemos deixar ninguém para trás”, sublinhou, explicando a escolha de uma instituição social no encerramento da campanha.

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada passou ainda pelo Museu Paula Rego onde deixou palavras de valorização a cultura na construção da nossa identidade.

Integrou a chamado “Comboio da Esperança”, numa deslocação de comboio entre Cascais e o Cais do Sodré, percurso que recordou ter feito diariamente na juventude.

Questionado sobre o tom mais duro que marcou a reta final da campanha, recusou qualquer arrependimento, comparando a sua postura à de “um médico perante uma ferida gangrenada”. “Fui o único que pôs o dedo na ferida. Na vida temos de arriscar e viver de acordo com a nossa consciência”, afirmou, acrescentando que este é “o último serviço” que pode prestar ao país.

Gouveia e Melo voltou também a alertar para os riscos do atual quadro eleitoral, defendendo que apenas a sua passagem à segunda volta garante a derrota de André Ventura.

Na sua perspetiva, um cenário de segunda volta entre candidatos partidários pode abrir caminho a uma vitória da extrema-direita. “A minha vitória não é a derrota de um partido, é a derrota de uma lógica partidária para a Presidência da República”, sustentou, apresentando-se como o único candidato capaz de gerar consensos à esquerda e à direita e de travar qualquer forma de extremismo.

O encerramento da campanha decorreu num comício no Pátio da Galé, em Lisboa, perante centenas de apoiantes. Entre as intervenções, Margarida Furtado, mandatária da Juventude, sublinhou que os jovens precisam de líderes que não fujam quando as decisões são difíceis.

António Capucho, histórico social-democrata, considerou que o país vive “tempos perigosos” e defendeu a candidatura de Gouveia e Melo como uma aposta patriótica e verdadeiramente independente.

Teresa Violante, constitucionalista, alertou para os riscos de um Presidente refém do seu partido, enquanto Francisco Rodrigues dos Santos destacou a independência, a experiência e o percurso do candidato, manifestando confiança numa “surpresa” eleitoral.

Na intervenção de encerramento, Henrique Gouveia e Melo agradeceu o apoio recebido ao longo da campanha e reafirmou não se arrepender do caminho seguido.

“Segui o chamamento de servir novamente Portugal”, declarou. Convicto, disse acreditar “na justiça e na seriedade” e apelou aos portugueses para pensarem na utilidade do voto. “A minha vitória não é a derrota de um partido, é a vitória da democracia”, afirmou, defendendo um projeto de mudança face a um sistema que “já dá sinais de cansaço”.

Assumindo-se como um candidato de centro, de inspiração social-democrata à maneira do Norte da Europa, Gouveia e Melo apelou à união do país, à coesão social e à valorização da classe média, dos jovens, dos idosos, dos profissionais de saúde, das forças de segurança e dos antigos combatentes.

“A economia são as pessoas”, reiterou, defendendo que Portugal precisa de ambição, liderança e esperança. “Não está aqui um aventureiro. Na incerteza, estou aqui para vos dar confiança”, concluiu, deixando o apelo final: “Vamos todos juntos mudar Portugal, porque merecemos uma nova vida e merecemos esperança.”