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Gouveia e Melo critica falhas do Estado na justiça, saúde e proteção social

13 Jan, 2026

O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo esteve no distrito de Setúbal, numa jornada que incluiu visitas ao Mercado do Livramento, aos Bombeiros Voluntários da Moita, um almoço com apoiantes no Barreiro e um jantar-comício na Terrugem, em Sintra, marcada por intervenções sobre o funcionamento do Estado, à resposta do Governo na área da saúde e à desvalorização de setores essenciais da sociedade.

Durante a visita ao Mercado do Livramento, em Setúbal, Gouveia e Melo abordou o tema da justiça, defendendo que o Presidente da República pode exercer pressão política sobre a Assembleia da República para promover uma legislação menos permissiva e excessivamente garantística. Sem se referir a casos concretos, advertiu para os riscos de uma prevalência excessiva da justiça formal sobre a justiça material, sublinhando que esse desequilíbrio pode levar a situações em que crimes não são efetivamente punidos.

O candidato defendeu que a justiça formal deve servir para garantir justiça material e não permitir que, através de recursos financeiros ou influência, se escape à responsabilização pelos factos. Para Gouveia e Melo, a lei não pode transformar-se num mecanismo que favoreça quem tem mais meios em detrimento da equidade.

Já na visita aos Bombeiros Voluntários da Moita, o candidato presidencial voltou a criticar a falta de responsabilização política quando ocorrem falhas graves nos serviços do Estado, nomeadamente na área da saúde e do socorro. Questionou a manutenção de responsáveis em funções após sucessivos problemas, considerando que a lógica partidária se sobrepõe frequentemente ao interesse nacional.

Interrogado sobre os atrasos na resposta do Governo aos problemas do setor da saúde, Gouveia e Melo afirmou que os prazos já foram ultrapassados, sublinhando que as conclusões devem ser retiradas pelos próprios responsáveis e não impostas pela Presidência da República. Considerou que o atual executivo governa há cerca de dois anos com promessas repetidas de resolução rápida dos problemas, lembrando que muitas das críticas anteriormente feitas na oposição permanecem por resolver.

O candidato argumentou ainda que o Estado está a falhar de forma sistemática e repetida na área do socorro, insistindo que já deveria ter havido respostas concretas e apuramento de responsabilidades. Defendeu que há margem para fazer muito mais na saúde e deixou uma advertência: um Governo que assume não ter capacidade para responder aos problemas deve dar lugar a quem esteja disposto a assumir essa responsabilidade.
No Barreiro, durante um almoço com apoiantes, Henrique Gouveia e Melo dedicou parte da sua intervenção à situação dos antigos combatentes, lamentando o que classificou como desprezo do poder político por quem serviu o país.

Considerou que Portugal, por vezes, trata mal os seus melhores filhos, incluindo forças de segurança, bombeiros e funcionários públicos, que continuam a desempenhar funções essenciais num sistema que descreveu como “kafkiano”.
O candidato estendeu essa crítica a profissionais da saúde, como enfermeiros e médicos, defendendo que muitos suportam diariamente o funcionamento do país enquanto lidam com estruturas hierárquicas que, segundo disse, privilegiam critérios partidários em detrimento da competência. O almoço contou ainda com intervenções de apoiantes, entre os quais Carlos Silva, do Movimento Jovem “Portugal tem futuro”, Paulo Valério, advogado, e Fernando Negrão, mandatário distrital por Setúbal.

A jornada terminou com um jantar-comício no Salão de Festas da Terrugem, em Sintra, onde intervieram várias personalidades, incluindo Tomás Barra, médico e representante do Movimento Jovem, que destacou Gouveia e Melo como um garante de futuro para os jovens em Portugal, bem como André Pardal, Francisco George e Fernando Seara, que salientaram a importância da gestão de crises, da verdade e da defesa das liberdades.
No seu discurso de encerramento, Henrique Gouveia e Melo defendeu a necessidade de um novo contrato social para Portugal, de inspiração social-democrata, criticando o individualismo neoliberal, mas sem atacar diretamente os seus adversários na corrida presidencial. O candidato afirmou acreditar numa social-democracia semelhante à praticada no norte da Europa, assente numa economia competitiva e tecnológica, mas com elevada coesão social.

Assumindo-se como liberal na economia, mas não neoliberal, defendeu que a economia deve servir as pessoas e não o contrário. Alertou ainda para indicadores sociais que considera inaceitáveis, como o risco de pobreza que afeta uma parte significativa da população e as condições indignas em que muitos idosos vivem, defendendo uma resposta mais humana e estruturada do Estado.