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“O destino dos povos está na mão dos próprios povos”- Gouveia e Melo alerta para rutura das regras internacionais após intervenção dos EUA na Venezuela

03 Jan, 2026

Perante a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, Henrique Gouveia e Melo defendeu a necessidade de Portugal acompanhar de forma atenta a evolução do contexto internacional, sublinhando que o país é aliado dos Estados Unidos e deve agir através da diplomacia.

O candidato manifestou particular preocupação com a numerosa comunidade portuguesa residente na Venezuela, expressando o desejo de que a situação se resolva sem vítimas e sem agravamento dos problemas já existentes no país.

Em declarações aos jornalistas, recordou que há mais de um ano escreveu um artigo onde alertava para a entrada numa nova realidade política internacional, antecipando que, com a administração Trump, as relações internacionais sofreriam um forte abalo. “Estamos exatamente nesse processo”, afirmou, considerando preocupante que conflitos e disputas entre Estados sejam resolvidos através da força e da violação da soberania de países independentes.

Para Gouveia e Melo, a intervenção norte-americana na Venezuela é ilegítima à luz do direito internacional e representa uma quebra das regras do sistema internacional.

O candidato salientou que Portugal, enquanto aliado dos Estados Unidos, deve acompanhar a situação com responsabilidade, sem deixar de manifestar preocupação pelo respeito das normas internacionais. “A nossa comunidade na Venezuela preocupa-nos. É uma comunidade muito grande. Esperemos que a situação se resolva sem vítimas e sem problemas para além dos que já existem”, reforçou.

Neste contexto, Gouveia e Melo teve ainda oportunidade de contactar com uma representante de uma associação portuguesa na Venezuela, que lhe transmitiu que a situação no terreno se mantém globalmente calma, apesar de existirem alguns focos de intervenção pontuais e limitados.

Segundo essa informação, o principal risco poderá advir de tentativas de setores ligados ao regime de Nicolás Maduro criarem tensão social e um sentimento de revolta contra a operação norte-americana, algo que, até ao momento, não parece estar a mobilizar a população.

A perceção no terreno é de que os portugueses estão bem integrados na sociedade venezuelana, procurando sobretudo tranquilidade, estabilidade e paz, mantendo-se resguardados nas suas casas, num país que, no geral, vive uma calma cautelosa.

Gouveia e Melo destacou ainda o papel positivo das embaixadas e consulados portugueses, sublinhando a capacidade nacional para lidar com problemas complexos e proteger os cidadãos no estrangeiro.

Para o candidato, o aspeto mais relevante deste episódio é a confirmação de que o mundo atravessa um momento de viragem no sistema internacional.

Recordou, a esse propósito, a invasão da Ucrânia pela Federação Russa, há cerca de três anos, considerando que esse precedente acabou por fragilizar as regras internacionais e, de certa forma, legitimar intervenções à margem do direito internacional, algo que diz preocupar enquanto cidadão democrata e defensor dessas normas.

Questionado sobre eventuais interesses económicos, nomeadamente ligados ao petróleo, Gouveia e Melo afirmou estar convicto de que o destino de um povo não pode ser imposto de fora. “Qualquer que seja o futuro da Venezuela, ele terá sempre de passar pela vontade do povo venezuelano. Só assim se estabelece a soberania do país e se consolidam instituições democráticas”, afirmou, reiterando que a intervenção dos Estados Unidos quebrou regras fundamentais do sistema internacional e deve merecer reflexão séria.

O candidato acredita que este é ainda um momento preliminar e sublinha que os Estados Unidos não se resumem a uma única liderança política, não antevendo um futuro em que o país assuma um papel permanente de agressor internacional. Ainda assim, reforça que o centro de qualquer solução deve estar sempre na população venezuelana, única legítima para decidir o seu próprio destino.